
Raul Seixas exibia orgulhoso sua carteirinha de roqueiro
por Miguel Cordeiro
Ettore Scola, um dos mais brilhantes cineastas daquela incomparável geração de italianos que faziam cinema para contar estórias e histórias de maneira cativante e envolvente, dirigiu um filme em que ele dá a sua interpretação da trajetória da música ao longo do século 20. O nome deste filme é O Baile e nele não há diálogos, nem um sequer. Os atores, homens e mulheres estão sempre num salão de festas desfrutando de um baile sem fim que escorre através dos anos. Eles não pronunciam uma só palavra, mas dançam, gesticulam, representam vários grupos sociais que interagem, têm suas preferências enquanto uma orquestra vai executando, cronologicamente, a trilha sonora respectiva à cada época. O Baile é um filme obrigatório a todos os amantes da música, inclusive os roqueiros.
Scola parte do inicio do século passado com os bailes da belle epoque, acompanha o passar dos anos, vê a chegada de novos ritmos, de novos costumes e quando chega o momento da segunda guerra mundial (1939/1945), o salão de baile é fechado, torna-se um abrigo anti-aéreo, a música sai de cena e o que se ouve é o aterrorizante som dos alarmes e dos bombardeios.
Uma das maiores curiosidades do filme se passa exatamente após a segunda guerra. É a época das big bands ao estilo Glenn Miller e a orquestra está tocando a nossa familiar Aquarela do Brasil. Neste período o ambiente do baile, a decoração, o figurino dos atores é propositalmente apresentado dentro de uma estética 'brega' e o chacoalhar das maracas envolve o lugar. De repente, um estrondo. Uma gangue adentra o salão com um pontapé na porta, dão bicudas nos instrumentos da pomposa orquestra. Eles se vestem de preto, usam casacos de couro. A partir deste momento as guitarras impõem o ritmo do frenético rock´n´roll e os participantes do baile passam a apresentar um comportamento bem diferente daquele de antes.
Ettore Scola numa única cena explica sem palavras e com a precisão cirúrgica das imagens o que é o rock´n´roll. Está ali a aversão radical ao regionalismo, o elogio à força dionisíaca, o alinhamento ao paganismo, um pé na porta do convencionalismo careta, o desprezo ao virtuosismo masturbatório, a oposição frontal aos ritmos étnicos, a opção pela rebelião e pela incorreção política.
Queiram ou não, domesticado ou não o rock´n´roll sempre foi isso e mesmo hoje em um mundo globalizado de inegáveis avanços mas onde tudo é pasteurizado e homogênico, o verdadeiro rock ainda guarda estas características.
Mas a hipocrisia do mundo globalizado é eliminar as 'identidades' impondo a apatia e a ausência de opinião. É embaralhar as mercadorias para confundir a escolha do indivíduo pelo rótulo que mais lhe agrada. É criar falsas sentinelas da liberdade para acusar vozes dissonantes de serem patrulheiras. É se apropriar da máxima secular de que 'tudo na vida é válido' para transformá-la no conformismo do 'tudo é válido' que priva o ser humano de expor a sua opinião e de ter a opção de acertar e de errar. É destruir, acertadamente, muros de concreto ideológicos, e, erguer, equivocadamente, outros muros abstratos e invisíveis colocando em cima deles pessoas que repetem pateticamente: 'este muro é apenas mais uma coisa na vida da gente'. A hipocrisia do mundo globalizado é também criar o roqueiro que reverencia o boneco fantoche regionalista que está sentado confortavelmente no colo do manipulador ventríloquo.
Ettore Scola dá a entender que roqueiro de verdade, independente da fantasia da vestimenta, tem mesmo de marcar o seu território em um mundo sem opiniões. Raul Seixas percebeu isso na essência do rock´n´roll, e exibia com orgulho a sua carteirinha de roqueiro. Aliás, todo mundo deveria ser assim, ter uma 'carteira de identidade', mesmo que imaginária, dizendo claramente o que ele é, porque as aparências não significam mais nada, mesmo as sonoras. Assim, as coisas seriam mais fáceis e evitaríamos a perda de tempo, os subterfúgios. Saberíamos diferenciar o roqueiro que para ele 'rock é rock mesmo' daquele que estufa o peito, arrota distorção, mas assimila e incorpora, despersonalizadamente, os regionalismos. Não existe rock quando ele se mistura aos regionalismos, por mais radical que esta afirmação possa parecer. Ele deixa de ser rock e passa a ser uma outra coisa. E sem inteligência o rock´n´roll torna-se tão imbecil quanto a cultura regionalista de fácil manipulação.
Desça do muro e seja um roqueiro de carteirinha, e mesmo que seu gosto musical pessoal seja abrangente, universal e variado não misture as bolas. Rock é rock mesmo.
Ettore Scola, um dos mais brilhantes cineastas daquela incomparável geração de italianos que faziam cinema para contar estórias e histórias de maneira cativante e envolvente, dirigiu um filme em que ele dá a sua interpretação da trajetória da música ao longo do século 20. O nome deste filme é O Baile e nele não há diálogos, nem um sequer. Os atores, homens e mulheres estão sempre num salão de festas desfrutando de um baile sem fim que escorre através dos anos. Eles não pronunciam uma só palavra, mas dançam, gesticulam, representam vários grupos sociais que interagem, têm suas preferências enquanto uma orquestra vai executando, cronologicamente, a trilha sonora respectiva à cada época. O Baile é um filme obrigatório a todos os amantes da música, inclusive os roqueiros.
Scola parte do inicio do século passado com os bailes da belle epoque, acompanha o passar dos anos, vê a chegada de novos ritmos, de novos costumes e quando chega o momento da segunda guerra mundial (1939/1945), o salão de baile é fechado, torna-se um abrigo anti-aéreo, a música sai de cena e o que se ouve é o aterrorizante som dos alarmes e dos bombardeios.
Uma das maiores curiosidades do filme se passa exatamente após a segunda guerra. É a época das big bands ao estilo Glenn Miller e a orquestra está tocando a nossa familiar Aquarela do Brasil. Neste período o ambiente do baile, a decoração, o figurino dos atores é propositalmente apresentado dentro de uma estética 'brega' e o chacoalhar das maracas envolve o lugar. De repente, um estrondo. Uma gangue adentra o salão com um pontapé na porta, dão bicudas nos instrumentos da pomposa orquestra. Eles se vestem de preto, usam casacos de couro. A partir deste momento as guitarras impõem o ritmo do frenético rock´n´roll e os participantes do baile passam a apresentar um comportamento bem diferente daquele de antes.
Ettore Scola numa única cena explica sem palavras e com a precisão cirúrgica das imagens o que é o rock´n´roll. Está ali a aversão radical ao regionalismo, o elogio à força dionisíaca, o alinhamento ao paganismo, um pé na porta do convencionalismo careta, o desprezo ao virtuosismo masturbatório, a oposição frontal aos ritmos étnicos, a opção pela rebelião e pela incorreção política.
Queiram ou não, domesticado ou não o rock´n´roll sempre foi isso e mesmo hoje em um mundo globalizado de inegáveis avanços mas onde tudo é pasteurizado e homogênico, o verdadeiro rock ainda guarda estas características.
Mas a hipocrisia do mundo globalizado é eliminar as 'identidades' impondo a apatia e a ausência de opinião. É embaralhar as mercadorias para confundir a escolha do indivíduo pelo rótulo que mais lhe agrada. É criar falsas sentinelas da liberdade para acusar vozes dissonantes de serem patrulheiras. É se apropriar da máxima secular de que 'tudo na vida é válido' para transformá-la no conformismo do 'tudo é válido' que priva o ser humano de expor a sua opinião e de ter a opção de acertar e de errar. É destruir, acertadamente, muros de concreto ideológicos, e, erguer, equivocadamente, outros muros abstratos e invisíveis colocando em cima deles pessoas que repetem pateticamente: 'este muro é apenas mais uma coisa na vida da gente'. A hipocrisia do mundo globalizado é também criar o roqueiro que reverencia o boneco fantoche regionalista que está sentado confortavelmente no colo do manipulador ventríloquo.
Ettore Scola dá a entender que roqueiro de verdade, independente da fantasia da vestimenta, tem mesmo de marcar o seu território em um mundo sem opiniões. Raul Seixas percebeu isso na essência do rock´n´roll, e exibia com orgulho a sua carteirinha de roqueiro. Aliás, todo mundo deveria ser assim, ter uma 'carteira de identidade', mesmo que imaginária, dizendo claramente o que ele é, porque as aparências não significam mais nada, mesmo as sonoras. Assim, as coisas seriam mais fáceis e evitaríamos a perda de tempo, os subterfúgios. Saberíamos diferenciar o roqueiro que para ele 'rock é rock mesmo' daquele que estufa o peito, arrota distorção, mas assimila e incorpora, despersonalizadamente, os regionalismos. Não existe rock quando ele se mistura aos regionalismos, por mais radical que esta afirmação possa parecer. Ele deixa de ser rock e passa a ser uma outra coisa. E sem inteligência o rock´n´roll torna-se tão imbecil quanto a cultura regionalista de fácil manipulação.
Desça do muro e seja um roqueiro de carteirinha, e mesmo que seu gosto musical pessoal seja abrangente, universal e variado não misture as bolas. Rock é rock mesmo.
29 texto(s) e/ou comentario(s):
é isso aí miguel...existe algo que está aqui dentro do peito que transcende a questão do imperialismo cultural...sabe, rock é rock mesmo...é algo transcedental/existencial/psicológico/social/, um roqueiro de verdade conhece o outro...seja ele de onde for...
Cláudio
Ô Miguel, seu ponto de vista não é radical. A música que vem com o pós-guerra, o rock'n'roll sobretudo, estabelece uma geografia de territórios diferentes, para além dos limites dos mapas e para além das tradições fabricadas. It is a brand new beat! / This here music mash up the nation / Can´t you feel it? É, parece que é preciso gritar de novo.
Não vou entrar em grandes discussões, mas a premissa do texto é muito frágil, afinal o próprio Raul Seixas misturou rock com música regional diversas vezes, e como o próprio autor constatou, não deixou de ser "roqueiro de carteirinha". O rock já nasceu misturado, ao blues, música negra e regional, ao country, música de raiz, ao bluegrass, música de preto pobre (sem nenhuma conotação preconceitusoa, por favor), e por aí vai. Lá em cima, no hemisfério Norte, continuou se misturando ao folk, à música celta, ao clássico, à eletrônica, às vanguardas eruditas e nem por isso deixou de ser rock. Eu particularmente não vejo nada de mal em misturar, e daí surgiram excelentes músicas, tão boas às vezes que transcedem os rótulos,e, como em qualquer expressão surgiu muito lixo. Pra mim o grande trabalho, e o grande barato, é separar o joio do trigo,não se deixar iludir pelo aproveitador, pelo ponguista, e continuar se divertindo com o rock.
De qualquer forma, parabéns pelo texto, por ter lembrado do Baile, de Scola. Esse é o grande barato desse blog, o melhor da cidade, sem dúvida.
parabens parabens..ler este blog virou um vicio para mim e alguns amigos. esse texto é uma maravilha... concordo em tudo o rock é uma coisa unica mesmo e também sinto uma aversão por essa coisa misturada de rock com samba ou com musica nordestina, vi esse filme muito tempo atrás e sempre achei um barato como o rock é apresentado nele.
jorge barbosa
acho que chacal não entendeu bem o espirito da coisa, raul seixas as vezes misturava ritmos mas sempre a coisa ficava com cara de rock mesmo, as letras, sabe? a proposta.
outros caras do country do folk também sabia fazer a mistura bem feita e a proposta as letras era rock.
cartola e pixinguinha fazia samba que era quase como um blues ou jazz e tinham personalidade.
as raízes são as mesmas. carlos santana também misturou com personalidade. mas 90% das pessoas que misturam ritmos a maioria é medíocre e não fica nem rock nem folk nem samba. acho que o foco é por aí.
jorbe barbosa
Concordo com você, Jorge, e acho que é por aí. Misturar faz parte da essência mesmo do rock, desde que surgiu. E como disse, e vou repetir, para mim o grande barato é justamente reconhecer isso e aproveitar grandes trabalhos, como os que você citou, sabendo e procurando saber, separar o joio do trigo, fugindo da mistureba que apenas se aproveita de uma onda, de uma moda.
misturar faz parte da essência do rock, certo...mas, só se for algo de essência como faz a nação zumbi... jamais uma diluição vazia ou de má qualidade, tipo "modista",
desses tempos pós-modernos...rock é rock mesmo...
Cláudio
concordo com chacal...rock é uma mistura.concordo que 90% das misturas são ruins,mas do rock supostamente puro tambem 90% e ruim,então...o rock tem modismos internos claudio, não precisa dos externos.
para mim chico e nação foi a coisa mais revolucionária do rock br nos ultimos 15 anos.
abços
mario jorge
Miguel,
apesar do cansaço, ou talvez por causa dele, vai ser difícil ser breve, pois concisão exige um árduo trabalho. E tempo.
Antes de tudo, por dever de consciência, tenho de registrar que gosto mais de Ettore Scola do que de Rock... E prezo muito mais ainda o atrito, de opiniões e idéias.
Por isso, começo logo discordando de você quanto a O Baile ser "sua (de Scola) interpretação da trajetória da música ao longo do século 20". Não é. É, em uma definição simplista, para não me alongar ainda mais, a História recente da França (início do século passado até a década de 80) contada a partir da música, mas também da dança, dos figurinos...
Porém, e não contraditoriamente, acho que você atira bem ao escolher este filme e compará-lo ao Rock. Esteticamente, é o filme mais audacioso (não o melhor, pelo menos para mim) de Scola. Ousado e inquietante com um bom rock and roll.
Quanto aos regionalismos...Caralho! Precisaríamos de 836 anos para debater.
Para não fugir totalmente à questão, devo dizer que concordo com a observação inicial de "chacal" em relação a Raulzito, que sabiamente intuiu ser Gonzagão o Elvis do Sertão. E o homem da Carteirinha Rock mostra isso com uma paixão insofismável em Krig-ha,bandolo! E dialoga também com Jackson do Pandeiro.
Mas, novamente de forma quase paradoxal, compreendo e compartilho de sua indignação com as misturas. Por enquanto, é só.
E quem disser que estou em cima do muro vai ficar de joelho no milho no fundo da sala.
abraços.
Mistureba é uma coisa, outra coisa bem diferente é a união organica de ingredientes que possa fazer sentido dentro de determinada atitude. Por exemplo, Mutantes eram reis nisso, mestres desta culinária, não soava forçado, fazia parte de um contexto e de uma ATITUDE, que soava natural e até mesmo, necessário. Agora, achar que nasceu no morro, ou na roça, qua possui na veia o que só tem na mwemória do computador e sair por aí se dizendo autêntico...tem dó. Parabéns pélo texto Miguelito.
no mais, rock é rock mesmo...
Senhores; o menino Miguel manda uma bomba precisa no peito dos caronistas, aqueles que usam o rock pra dar a seu discurso uma legitimidade, mais rockeiros não são, como as Carolinas, Zelias, Marisas ; os Nandos e Ottos.
Paulinho da Viola é meu héroi, tanto quanto Zappa, Hendrix e Eddie, só que vai deixar de ser no dia que fizer um disco de "samba rock"( nomizinho feio esse!)ou coisa parecida.
E pra finalizar:
Mutantes do início era uma banda de MPB com influências de rock.
certo mário, o rock tem seus modismos internos e 90% do rock é ruim...concordo...gosto das bandas que marcaram a história da música universal fazendo um trabalho criativo e sincero, mas não me venha com esse papo que existe muito modismo e modismo às avessas dentro do rock, ainda mais numa época de pouca introspecção e sinceridade na fruição do mesmo...curto e falo das bandas que fazem ou fizeram música sincera e talentosa...a lista é longa e não está entre os mais de uma certa emissora de música de tv fechada...gosto de muitas outras coisas além do rock (e como) que são genais...não vivo em gueto, apenas sou apaixanodo (por formação) pelo hard rock de qualidade
Cláudio
ERRATA - certo mário, o rock tem seus modismos internos e 90% do rock é ruim...concordo...gosto das bandas que marcaram a história da música universal fazendo um trabalho criativo e sincero, mas não me venha com esse papo que vc sabe ou deveria saber que existe muito modismo e modismo às avessas dentro do rock, ainda mais numa época de pouca introspecção e sinceridade na fruição do mesmo...curto e falo das bandas que fazem ou fizeram música sincera e talentosa...a lista é longa e não está entre os mais de uma certa emissora de música de tv fechada...gosto de muitas outras coisas além do rock (e como) que são genais...não vivo em gueto, apenas sou apaixanodo (por formação) pelo hard rock de qualidade
Cláudio
só pra reiniciar, mutantes era uma banda que amava rock, vide histórias de arnaldo, sergio e rita e usava mpb, assim como blues, psicodelia, folk, etc... mas sim, era uma banda de rock.
Miguel, parabens pelo texto antes de tudo corajoso. Apesar da linguagem direta não é um texto de fácil assimilação, achei o texto altamente questionador. Pra quem é rocker de coração,e eu me incluo no caso, tem que ter cuidado pra não ficar sectário. não sou contra o regionalismo per se, e sim da mensagem conformista, provinciana e auto-referente contida em grande parte dos "regionalismos", em qualquer parte do mundo. É a questão da ignorãcia, tb presente entre "roqueiros", mas distante do discurso libertario e inconformista contido pelo menos no rock que eu gosto e da forma como eu o percebo.Dito isto vou apelar e evocar São Ian Hunter no Ballad of Mott the Hoople:
"Rock 'n' Roll is a losers game
it mesmerizes,and I can´t explain
the reasons for the sights and the sounds
the greasepaint still sticks to my face
so what the hell, I can´t erase
that rock'n'roll feeling
from my mind
taí osvaldo,definiu bem...estava até ouvindo o mott deles hoje...rock pra mim é algo libertário, não compactuo com as engrenagens da indústria cultural capitalista que fazem dele apenas mais um item de consumo no supermercado da vida...não me iludo com nenhum carárter extraordinário também, mas as mentalidades evoluem a reboque da música também...o mundo avança pela música também...o que critico é o carárter excessivamente classe média de cabeça da grande massa das tribos do rock...me enche o saco vê tantos egos inflados
Cláudio
essa historia me lembra os tempos que eu morava com Zezao no Canela e, volta e meia, qdo o povo do rock tava lah em casa na confraternizacao, Zezao sempre largava algum som regional pra galera, para desespero de uns (eu incluido) e delirio de outros. quando alguem reclamava, ele dizia "sao suas raizes, cara! tem que ouvir", coisa e tal. ao que Big, do alto da sabedoria que lhe eh peculiar, mandava essa? "Zezao, quem tem raiz eh arvore!". e a galera ia ao delirio. ah, Zezao doidao...
Miguel Cordeiro
é chato prá quem escreve algo com o intuito mesmo de provocar é ter de voltar ao assunto; mas vou botar lenha nessa fogueira. raul seixas RARÌSSIMAS vezes misturava ritmos mas ele sempre fazia questão de dizer com todas as letras que era um ROCKER. odiava abertamente a MPB, tom jobim, a bossa nova... já os que misturam sem personalidade, como diz o texto, DESPERSONALIZADAMENTE, ficam sempre em cima do muro dizendo o "o rock é legal mas musica baiana (por exemplo) tambem é legal", acho que alguns que postaram comentários não entenderam o teor do texto e se apegam num raciocínio primário de que afirmo que rock não se mistura esquecendo que ali no texto tem DESPERSONALIZADAMENTE. e mais, tem muito artista que toca com guitarra distorcida, macacaqueia trejeitos do rock, diz que tá fazendo rock mas quando voce vai ouvir o que ele está cantando (letras) não tem nada de rock. A intenção é esculhambar mesmo com essaa mistureba que se faz no brasil, geralmente feita por pessoas que não sacam bulhufas de rock´n´roll. Outra coisa, se não é a interpretação do próprio Ettore Scola que ESCREVEU e DIRIGIU o filme que é quase um musical aí eu fico sem entender de quem é essa interpretação e de quem ele psicografou esta interpretação... e no mais, ROCK AND ROLL FUCK IT ALL.
miguel, coyotes é rock de linha puro sangue...por que não faz um segundo cd? com mais guitarras claro...
Cláudio
sou leitor assiduo do blog e nunca fiz comenntario mas com este texto aí não segurei a vontade. achei o texto muito lucido e também com grande profundidade além da polemica musical. fiquei mesmo emocionado com o texto na parte que o autor define o mundo globalisado.é de muita lucidez e corretissimo e só aquele trecho valr por tudo. sinceros parabens
Heitor
acho q rock não é mistura. rock é uma coisa só e pode ter éinfluencia de tudo musica indiana (beatles), clássica (rock progressivo), musica caipira (coumtry). influencia ´é muito diferete de de mistura camilo
Miguel,
seguinte é este. Como lenha não é material escasso aqui por onde moro, deixa queimar.
Li atentamente seu texto e agora seu comentário. É uma pena que você não tenha feito o mesmo com que as mal traçadas que escrevi. Ou talvez, o que não descarto mas duvido, eu tenha me expressado mal.
Comecemos por Ettore Scola. Creio existir uma confusão de sua parte.
Você afirmou textualmente: " dirigiu um filme em que ele dá a sua interpretação da trajetória da música ao longo do século 20".
E eu rebati, não foi isso. E rebaterei novamente e quantas vezes meu saco não transbordar. Scola não fez "uma intepretação da trajetória da música ao longo do século 20" em O Baile. O que ele fez foi contar a história da França (ou momentos marcantes de)a partir da música...E também da dança. O que são coisas completamente diferentes.
Aliás, o filme é "baseado" em Le Bal, de Jean-Claude Penchenat. Ponto.
Quanto a Raulzito, nada a acrescentar. Deixa como está.
Agora, rock, rock mesmo é Terra em Transe, que estréia amanhã, com cópia restaurada, nas melhores casas do ramo.
abraços.
P.S E para terminar cnemasticamente, sugiro a todos que (re)vejam Nós que Nos amaávamos tanto e Um Dia muito Especial, duas obras primas de Scola.
Boas noites
assisti de novo depois de muitos anos o filme O Baile ontem de noite (peguei na GPW em VHS). como sou um roqueiro de adolescencia e já tem muito tempo isso, vibrei mais uma vez com a hora q o rock entra em cena. a análise de miguel é perfeita. não entendo a picuinha de pessoas dando uma de professor de redação de curso do segundo grau ou procurando jogo dos sete erros... se o filme é sobre a história da França a partir da musica pode ser tambem uma interpretação (pessoal) de Scola (afinal ele é o diretor) da trajetoria (história) da musica. e se é da dança, alguma música é necessária para q as pessoas possam dançar,ok? e vi ontem que na epoca da guerra as pessoas não dançam por que não tem música. então o filme é sobre musica mesmo...grande texto mesmo esse de miguel e que continue assim criando polemica (rock é para isso tambem) e botando formiga nos cérebros limitados. ROCK!
jorge barbosa
Miguel Cordeiro
obrigado a todos pelos comentários. tanto os que foram contra quanto os que foram a favor. lembro que quando o baile passou pela primeira vez no inicio dos anos 1980 os "bicho-grilo" universitários da MPB ficaram indignados com Ettore Scola pelo tratamento vil que ele deu a "intocável" Aquarela do Brasil versus o rock´n´roll. e pelo visto a polemica continua... e aí meu caro Franciel, sei que voce "bota táuba pá lascar de banda sem deixar fiapo" mas mantenho todas as minhas palavras da MINHA interpretação da interpretação de Scola sobre a história ou trajetoria da musica ou dança que ele aborda no filme. acho também Terra em Transe um dos melhores filmes já feitos e gostaria de ler a SUA interpretação sobre o mesmo. abraços a todos
Atenção, cambada.
Para não encumpridar a prosa, que a lenha já tá perto do fim, desta vez vou ser suscinto. E esclarecedor. E filantropo.
Começo, como bom cristão, exercendo esta última atividade.
Caro Jorge Barbosa, você poderia ter economizado seu rico dinheirinho. Tenho uma cópia boa de O Baile e te emprestaria tranqüilamente. No entanto, como pagamento, você teria que ler novamente meus dois comentários até entender que não há nenhuma espécie de picuinha. Apenas uma tentativa de saudável debate. Há inclusive, se você prestar atenção, concordâncias com o texto de Miguel. A única coisa que falta é bajulação, pois, por conta de muitas traquinagens, expulsaram-me desta escola.
Prezado Miguel, um último e esclarecedor seguinte. Temos mais pontos em comum, inclusive contra os que são a favor da pasmaceira , do que podes imaginar qualquer vã filosofia. Acho, por exemplo, que os "bicho-grilo" da MPB merecem tomar uma surra de cansanção.
Agora, adaptando o velho e querido Voltaire, eu diria que, independentemente de você estar equivocado ou não, é sagrado o direito ao erro. E o defenderei até a morte. Eu mesmo sou bi-campeão baiano de desacertos.
Uma reparação, porém, é necessária. Quem "bota táuba pá lascar de banda sem deixar fiapo" não sou eu. É meu amigo Beto Bahia, que, diga-se, gosta de Raulzito e de Rock and Roll, mas respeita Januário.
Abraços cordiais a todos e até o próximo debate, que é sempre enriquecedor quando estamos dispostos a aprender algo.
P.S Miguel, como você pôde comprovar agora sou um mentiroso. Tentei ser claro e bonzinho, mas nunca suscinto. Faço este PS apenas para lhe dizer que tentarei, em breve, falar sobre Terra em Transe. Vou ver a cópia restaurada daqui a um pouquinho. Antes, porém, um comercial: colocarei agora no www.puraingresia.blogspot.com um texto "velho" que fala an passant sobre o filme.
Aviso aos puristas. Há, nas referidas mal-traçadas, elogios a ...Fagner.
Bom ver a qualidades dos debatentes na peleja. Faustino de um lado, Franciel do outro e outros de bom gabarito sapecando a porra.
Mas esse menino escola me lembra também os Rolling Stones em Feios, Sujos e Malvados. Aquela sequencia em que o pai leva uma mulher para casa e após dormir, não percebe que o filho quer brocá-la é lindo.
há umaremissão direta àquele episódio dos Stones em Tangier 9Marrocos), Brian Jones com a namorada Anitta Palenberg e o verme Keith Richards que, na cocó, quando Brian cai doente, provoca um intercurso carnal coma solitária moça. Escória.
Sobre o Elvis rock Clube funcionou na Avenida Luis Tarquínio (cidade Baixa) e na casa da família do Big Ben por volta de 58. Aqui em Salvador, no Cine Guarani, no mesmo ano a molecada quebrou a porra toda quando a parece Bill Haley em Sementes de Violência (Richard Brooks, 55).
Aquele abraço
Velho McCoy
Só para completar e dar uma saudosa contextualizada daqueles dias.
Naquela distanta galáxia junkie do Canela, eu acordava meio dia e achava pílulas de valium pelo chão e tinha que colocar a psicodelia nordestina para derreter as mentes incautas.
Inclusive do próprio Chicão, (velho McCoy Bredah) que rezava naqueles dias um certo credo tristão, muita guitar band dando nos meus culhões, oasis tristezinho e outras noises
E a onda era raiz mesmo (ainda é), principalmente quando não havia flores para torrar.
Não consigo deixar de rir ao lembrar daqueles anos 98,99,00.
Só tinha uma radiola na casa, a mesa era um carretel gigante da telemar que eu roubei no mercadão com Neyse, Pieery e inês e um CD player no quarto de Chicão. E ele querendo ouvir o novo do Oasis e uma coisitas tristonhas que davam no saco porque era o mesmo ritual. Saudade das nossas arengas estéticas.
Nessas malfadadas horas de melancolia e rock triste (ele também ouvia brincando de deus) fora de hora (para mim., pelo menos) eu sacava o velho Paêbiru para espantar a tristeza.
Enquanto isso, uma galera não parava de ligar para várias conexões rock.
Antes que o chororô americanóide noventista ou das neo-noise-anglicano-melancolicas dos 80 me empurrasse ao suicídio, eu sacava tambérm emboladas e o caralho. Tinha gente que torcia a cara.
E eram os mesmos (muitas vezes) que babavam nos culhões do Mangue beat e do sertão sem nunca ter ido nem em Feira de Santana, sim , eram os anos 90. Todo mundo querendo misturar ou ficar triste.
Eu ficava cok Cascadura, dead Bilis
e os baiões, os aboios, as toada eram para mim mais loucura, (e uma loucura sensitiva-musical-nordestina-telúrica e misturada cokm o rock já nos 60 e 70.
Chicão cultiva (cultivava) uma deprezinha que eu tinha que afastar. E não raro a gente se chingava uns 30 minutos na frente de todo mundo e partia, cada um para uma nova barca com diferentes galeras. E segue a fumaça do tempo
Porra, Zé, fiquei até emocionado. aqueles três anos juntos no Canela ainda merecem virar livro, ou (loucura)crônica, sei lá. é um projeto pra gente tocar junto um dia.
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