
por Sérgio 'Cebola' Martinez
Poucos discos, nenhum sucesso comercial, drogas pesadas, brigas internas, canções eternas, dois gênios que se separam após o início, muita influência futura, uma curta jornada... Não, eu não estou falando do Velvet Underground, apesar de que este resumo servira como luva para a gang de Lou Reed e John Cale. Com o nome surrupiado de um supermercado da região onde ensaiavam e gravavam (Ardent studios, da Stax) o Big Star foi isso tudo e muito mais. Foram apenas três discos, sendo que o último só lançado após o fim da banda, que encheram a prateleira do mercado de canções pop com inesgotável inspiração para os anos seguintes. Alex Chilton (guitarra e vocais), Chris Bell (guitarra e vocais), Andy Hummell (baixo) e Jody Stephens (bateria), pareciam possuir apenas uma pretensão: brilhantes pop songs. E conseguiram.
Poucos discos, nenhum sucesso comercial, drogas pesadas, brigas internas, canções eternas, dois gênios que se separam após o início, muita influência futura, uma curta jornada... Não, eu não estou falando do Velvet Underground, apesar de que este resumo servira como luva para a gang de Lou Reed e John Cale. Com o nome surrupiado de um supermercado da região onde ensaiavam e gravavam (Ardent studios, da Stax) o Big Star foi isso tudo e muito mais. Foram apenas três discos, sendo que o último só lançado após o fim da banda, que encheram a prateleira do mercado de canções pop com inesgotável inspiração para os anos seguintes. Alex Chilton (guitarra e vocais), Chris Bell (guitarra e vocais), Andy Hummell (baixo) e Jody Stephens (bateria), pareciam possuir apenas uma pretensão: brilhantes pop songs. E conseguiram.
O ano é 1971 e a década que se iniciava já tremia sob o peso do hard rock e do progressivo em suas diversas vertentes. Remanescentes da década de ouro ainda soavam relevantes, seguindo carreira com maestria (exemplo dos Rolling Stones , The Who, Neil Young, The Byrds etc.), cacos dos Fab Four lançavam seus solos e Chris Bell resolve convocar Alex Chilton ex-Box Tops, banda soul de relativo sucesso, e muita qualidade, da década anterior, para entrar na sua banda, que já contava com Andy e Jody.
Formada em Memphis, Tenessee, o Big Star lança seu primeiro disco, #1 Record, em 1972 e nele já apresentam suas armas devidamente polidas. Guitarras mezzo Byrds (cortesia de RogerMcGuinn) mezzo Beatles da fase Rubber Soul/Revolver, dedilhando melodias entrecruzadas e marcando ritmos sessentistas, harmonias vocais celestiais evocando Byrds e Beach Boys. Por vezes, um peso pop ao mesmo tempo vibrante, agoniado e melancólico, com ecos de Who, Stones e Kinks, o Big Star foi o filtro pelo qual o doce e o amargo do pop 60 passou para resurgir em poções coloridas de melodias pegajosas, curtas, belas em sua simplicidade, sofisticadas em suas nuances, como um final de tarde em uma praia deserta... Como um réquiem para os anos 60, festivo às vezes, nostálgico por outras. É neste primeiro disco que está presente uma das minhas baladas prediletas de todos os tempos, The Balad of El Goodo.
No segundo, de 1974, Radio City, Chris Bell não está mais presente. Brigas constantes com Chilton, relacionadas à drogas, o fizeram deixar a banda (mais tarde lançaria um solo, I'm the cosmos, em 1978, absolutamente imperdível como os do Big Star). Provavelmente por isso é um disco mais cru, mais pesado e direto. Ouçam September Gurls e podem apostar que Norman Blake (ou o Teenage Fanclub todo) fez muitas visitas ao Supermercado Big Star. Para muitos é o melhor disco da banda.
No terceiro o bicho pega. Já sem Andy Hummell, com músicos convidados, a banda se desfaz antes que fosse terminado. Mas nem pense que por isso é um disco fraco. Talvez, pelo fim iminente da banda, pelo fracasso comercial, drogas, ou o que quer que seja, Third ou Sister Lovers (ficou com os dois nomes) é uma tradução pura e sem retoques de uma alma definitivamente melancólica e destroçada. Ouça Kangaroo e perceba o quanto pode soar deprê uma canção pop. Triste, sombrio, até os momentos de agitação (Kizza me, Till the End of the Day, dos Kinks, Whole Lotta Shakin'... de Jerry Lee Lewis) parecem somente refletir uma tentativa frustrada de intervenção médica em um organismo definhando em depressão: "Your eyes are almost dead / Can't get out of bed / And you can't sleep" (trecho de Holocaust).
Canções frágeis, curtas, chapadas, letras dilacerantes, é o famoso disco corta pulso. Só Lançado em 78, três anos após o fim da banda, é uma obra-prima inconteste. Apesar das dificuldades na sua produção (ou até por elas mesmo), merece ficar na mesma prateleira de # 1 e Radio City. Sua versão de Femme Fatale, com a voz de Chilton quase se quebrando em frações de cacos é a referência exata prá sacar uma outra influência sua: Aquela banda citada lá em cima... Coincidências existem?! Bom isso já não é meu departamento.
Em estúdio foi só isso aí mesmo. Existem ainda alguns discos ao vivo póstumos que merecem seu dinheiro. O Nobody can dance, lançado em 1999, referente à um show de 1971 mais ensaios em estúdio. É um bootleg "oficializado" com a aprovação de Alex Chilton. O Big Star Live, gravado em uma transmissão de rádio em 1974 e só lançado em 1992. E Columbia: Live at Missouri University, com membros do The Posies (Jon Auer e Ken Stringfellow ) gravado em 1993 em uma retomada da banda. Alex Chilton continuou lançando discos solo durante os anos 80 e até produziu o primeiro Lp da seminal banda psychobilly The Cramps, Songs the Lord Taught Us (1980).
Alguns sabidinhos já compraram nesse mercado. The Replacements, REM, Teenage Fanclub, The Posies, Wilco, a lista é enorme e comporta bandas que hoje influencia muita gente boa. Mas a fonte tá mais pro passado, o elo perdido entre os anos 60 e os 80/90/00. É como diria aquele vendedor: aproveite, são produtos de primeiríssima qualidade.